Destinatário: Confusão. Assunto: Vê se me erra!

Nunca estive tão confusa. Você acha que sempre está certa em tudo e pensa que é realmente muito inteligente, até que se vê perdida e se perguntando milhões de vezes a mesma coisa, em meio a situações completamente supérfluas. Isso é dúvida. Epa! Desde quando eu tenho esse acúmulo de dúvidas na minha prateleira? Indecisão não combina comigo, e de repente eu to aqui, sentada esperando um sinal pra me mostrar em qual direção eu devo seguir. Dessa vez não é medo, eu fico mesmo é irritada quando eu não encontro respostas, embora eu pense que isso deve ser normal pra maioria das pessoas. Mas comigo não. Eu preciso saber o que fazer, insegurança não me atrai. “Maldita mania de fazer planos”, penso alto comigo mesma. E tem que estar tudo certo, do jeito que eu quero e planejei. Conseqüentemente sou na maioria das vezes, extremista. Se não for assim, é melhor que não seja, e eu prefiro fingir que eu sei muito bem o que está acontecendo e que tenho tudo sob controle, porque você definitivamente não pode saber que até eu tenho minhas dúvidas e inseguranças. Há quem diz que tudo isso é só uma fase, por que minha vida anda agitada demais, e tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. E tem mesmo, não tennho nem como negar, mas acontece que do meu ponto de vista extremista, ainda que eu venha sentindo toda essa bagunça, não é justificativa pra surtar. Já dizia Clarice Lispector: ou toca, ou não toca. Chega um momento que ou você agarra, ou deixa ir. As coisas passam para o temível nível em que a frase se tranforma em “ou sente, ou não sente”, e eu sinceramente, não sabia mais o que eu sentia. O problema é que quando a gente tá sozinha há muito tempo a gente acaba fazendo muita confusão. Ao mesmo tempo em que sabemos tão bem o que queremos, essa nossa lista com o lembrete “coisas importantes” se mistura com o que nós temos em mãos, que se mistura com a idealização que fazemos de tudo aquilo, que se mistura ainda mais com o que de fato merecemos. Sem contar quando existem aqueles de fora dando palpites, apontando o dedo na sua cara. De repente, a gente já não sabe de mais nada mesmo, porque quando paramos pra pensar e decidir alguma coisa, já é tarde demais. Você já se envolveu e parece impossível voltar atrás com tanta gente e com tanta coisa acontecendo – e se acontece de você não ter se envolvido, é lógico que a dúvida aparece pra te infernizar, e aí então, também começa a ficar tarde demais. Fica tarde demais de qualquer jeito, afinal, não somos donos do tempo, e não se força ou se apressa sentimento algum. É quando eu me lembro e entendo qual foi a confusão da vez. A emoção só nos leva a cometer besteiras e a razão deve ser sempre o critério principal. Eu me irrito por que é quase impossível fugir e sair ilesa de uma guerra dessas.

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