Tem momentos em que as palavras simplesmente se escondem atrás da primeira porta que eu encontro, ou se encolhem dentro de um baú antigo que eu nem lembrava que eu tinha guardado. Elas somem, e eu fico aqui olhando pro nada pensando sobre as horas e momentos em que eu poderia ter dito tanta coisa, mas não consegui ou não sabia como. Talvez fossem mesmo esses momentos feitos pro silêncio e eu, com a minha mania exagerada de querer pintar tudo com letras e números, cheia de conceitos e justificativas, fico pensando e tentando entender o que se passava nos centímetros que separavam os seus olhos dos meus. Mas eu não conseguia. Meu sorriso escapava. Meus olhos brilhavam. A minha transparência inevitável aparece pra você. É quando a gente se perde. É quando as palavras estão predestinadas a se perderem pro silêncio acontecer. Um silêncio bom, sem ligação alguma com a realidade, como se todo o resto tivesse ido embora com o que eu queria te dizer antes de você me olhar e bagunçar a realidade, criando todo esse universo paralelo onde nós estamos agora. Eu, você, e o silêncio. É mais um daqueles momentos que se eu pudesse, emoldurava e fazia questão de olhar e me inspirar todos os dias, sem pensar em mais nada.
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