Idas e Vindas

E depois daquela noite gostosa, sentir aquela felicidade de se ver de novo e ter aquelas conversas que começam naturalmente, entre a timidez e a vontade de falar sem parar e poder sentir tudo o que tá rolando na atmosfera. Assunto vai, assunto vem, a gente para, fica se olhando, tentando traduzir todos esses olhares – os dele, azuis, sérios e misteriosos, os dela, sempre tão intensos e sorridentes não conseguindo evitar a felicidade daquele momento – o de se perder nos olhos dele. O sentimento de ficar ali perdida gritava dentro dela, não conseguindo evitar o que sentia quando o reencontrava depois de tanto tempo. Isso só era assim por que nada daquilo era claro. Quando pensava nele, ficava tão longe de enxergar a realidade. Ele, sempre tão curioso sobre cada detalhe que ela sem querer deixava transparecer, resolveu ligar e dizer que estava com saudade, e dessa vez, se encontraram. Conversando, ela tentava explicar pra ele – e pra ela mesma - o motivo absurdo de sentir tudo aquilo, mesmo depois de tanta distância e de tanta dor. Chegaram a mesma conclusão, o que era bom, raramente concordavam, mas ainda assim, não era uma explicação suficiente pra dar aquele alívio pro coração respirar em paz. “Tem alguma coisa em você, que me mantém presa.” ela disse olhando pra ele, logo desviando o olhar com medo de ter se entregado ali, naquela frase. “Você é diferente de todas as outras mulheres que eu já conheci.”, ele disse falando sério, adimitindo quase que ferindo o orgulho - que era grande. "Você é como se fosse uma exceção." É claro que ela sorriu e o coração respirou um pouco melhor. “Mas a gente nunca se resolve, e esse tipo de relacionamento nunca me deixa em paz.” Era quando o silêncio chegava. Era o silêncio, ou o começo de uma discussão - que acaba sendo sempre em vão. Eles mal se viam ou tinham momentos como aquele pra se acertarem e um poder dizer pro outro o que realmente sentia com momentos tão raros e únicos que tinham juntos. Só pra ficar se olhando, falando besteira, rindo á toa. Era o que mais faziam quando estavam juntos. Se re-apaixonavam um pelo outro, como se fosse a primeira vez.  Talvez fosse mesmo a melhor hora praquele reencontro ter acontecido. Ela decidiu dizer tudo, sem deixar que nenhuma palavra ficasse escondida. Mesmo que a história acabasse ali, sentiria um alívio por não guardar mais nada. Coisas que ele também precisava dizer, mas nada que faria com que a história tomasse um rumo muito diferente, a conclusão dela continuaria sendo a mesma. Só que por mais óbvias que eram as coisas, elas precisavam ser ditas, mais do que isso, elas precisavam ser demonstradas. Talvez seria ali que ela conseguiria enfim enxergar o que tanto precisava. Escutar o que ela no fundo já sabia, mas precisava de momentos assim pra poder sentir de verdade, a verdade. Mesmo com tantas idas e vindas, ela vivia todos esses momentos como algo tão especial, e ele já nem lembrava de mais nada. Clareou ali, naquele instante. A história de se apaixonar sozinha aconteceu de novo. Decidiu então, acabar com as idas. Depois daquele dia, era só a vinda de volta pra casa. Sozinha. Escreveu um ponto final, largou o lápis, respirou fundo e fechou o livro.

De repente, medo

Quando as coisas complicam, dá vontade de fugir, por que o coração acelera e as palavras somem. Tava tudo certo, e de repente, alguma coisa que foi dita sem querer muda o rumo do meu pensamento e eu já não sei mais o que dizer. E tudo isso pode até parecer besteira, mas pra mim na verdade chega a ser tudo uma loucura, por que eu tenho essa mania inevitável de intensificar tudo ao meu redor. Dá medo, dá vontade de recuar e colocar um ponto final pra evitar logo o sofrimento. Dói até pra escrever, por que escrevendo, a gente anuncia o que tá pensando, a gente admite o que tá sentindo. Entre uma palavra e outra, e a música lenta, eu respiro fundo e tento entender o que antes, a gente sendo só amigo tava tão claro pra mim. Por que, uma vez que as coisas são ditas e ficam claras, não tem mais como voltar atrás. A minha fragilidade fica escancarada, e nem se trata mais do que você me disse minutos atrás, mas sim da minha reação ao ser pega de surpresa. Eu não gostei desse silêncio absoluto que vinha de dentro do meu peito, eu pensava em você e era tudo tão barulhento e colorido, mas agora eu não escuto e nem enxergo nada. Quando as coisas complicam assim dentro de mim, bate um desespero, perco o rumo, e eu só quero a clareza do que eu tava sentindo de novo de volta, sem sentir essa pressão de ter que quebrar o silêncio que veio de mim até você, ter que te dizer alguma coisa, e acabar me arriscando tanto ao dizer tudo em voz alta. Ao fazer os pensamentos virarem palavras ditas, indiretas adquirirem um valor e um significado tão maior, ao ponto de complicar a história de um jeito que nem eu, nem você vamos conseguir voltar atrás. 

Calmaria

Tem coisa que é melhor não falar. É melhor quando a gente guarda, quando a gente esconde. É como quando a gente tem tanto pra dizer, mas só de tentar, sai daquele jeito mais ou menos. Se a gente fala, a situação piora ou fica tudo mal entendido. Mas tem quando a gente precisa falar. É melhor falar, é quando não dá pra guardar nem esconder nada. Se a gente guarda pra depois, as coisas começam a ficar com uma intensidade tão grande que acaba explodindo, e quando a gente menos espera, dá aquela vontade de vomitar tudo. No fim do dia, a gente acaba aprendendo. Depois que tudo foi guardado pra ser pensado com mais cautela, ou foi dito na pressa por culpa da necessidade, é tão bom sentir aquela paz. Era tudo o que eu queria. Calmaria.
Eu ando uma zona esses últimos meses. Tanta coisa acontecendo comigo, é como se eu estivesse dentro de uma montanha russa, enquanto isso eu vou tentando me equilibrar durante o percurso cheio de altos e baixos, curvas e loopings, sem perder a linha.
Me perguntei tantas vezes se devia falar, ou guardar tudo pra outra hora. Eu fiquei tão confusa, mas eu simplesmente não conseguia retribuir tudo o que estavam me dando ou esperando de mim, e nada daquilo era certo. Cheguei a pensar que o problema era comigo. Pensei melhor, e talvez o problema era ser do jeito que eu sou. E aí, eu vou levando tudo de um extremo pro outro. Eu cheguei a ficar com medo, medo de ficar tão sozinha, de novo. Deu vontade de fugir, mas eu sabia que se eu fizesse isso, eu me perderia de vista. Mas eu precisava de uma fuga, sentia que eu seria atropelada pela vida á qualquer momento. Não era cansaço, nem raiva ou nada do tipo, eu só queria acordar de manhã e respirar a dose certa de tranqüilidade que eu precisasse pra encarar mais aquele dia. Sem exigir respostas de mim mesma, sem ter que guardar ou vomitar tudo o que eu estava sentindo pra quem sem querer, depositou a maior expectativa em mim. Eu só queria um momento de calmaria. Só Deus e eu. 

O poder de mudar o rumo

Impressionante como algumas palavras e gestos mudam completamente o rumo da história. Bom, a minha versão da história. É tudo uma questão de opinião. O jeito que encaramos determinadas situações e fases da vida são tão diferentes, o que torna as histórias que temos pra contar sempre interessantes. O comportamento das pessoas são tão únicos, por que cada um tem seu jeitinho de agir, de dizer, de demonstrar, de fazer parte da história. O jeito que você encara e aceita as coisas da vida é o que faz a sua versão ser diferente, é o que faz você ser único na história das pessoas. Nós temos as pessoas, a vida nos dá tantas chances e oportunidades, e o poder de mudar o rumo ou de fazer a história ser uma história especial, está em nossas mãos.

É falta de...

As pessoas vivem apressadas, na correria e na urgência pra tanta coisa boba, determinando coisas tão erradas como prioridades. Falta pressa em se atentar pro que vale a pena viver, falta correria em dar atenção ás verdadeiras prioridades da vida, falta urgência em ser feliz de verdade.

Exigindo mais, cada vez mais

O negócio é o seguinte: depois de tudo, a gente acaba exigindo cada vez mais, e por conta disso, o medo chega. Chega, e traz tudo novo. A gente sente aquela exaustão, e começa a se perguntar se vale mesmo a pena correr o risco. Aí eu olho pra você, e tento enxergar além do que eu sempre vejo, por que na verdade, o que eu vejo quando olho pra você não vale, não conta. Preciso ver além daquilo que o meu coração enxerga; Preciso olhar não mais com o coração. Esquecer de toda a emoção, e olhar com os olhos pra encontrar a razão, que vive fugindo de mim. Depois de muito tempo, eu consigo a resposta, mas quando a gente gosta de verdade, não importa o quão cansada você possa estar, mesmo sem forças, você respira fundo e dá mais uma chance pras coisas se acertarem. A esperança é mesmo, a última que morre. É aí que eu insisto em perguntar pra você antes de pegar as minhas coisas e ir embora. “E aí? Vale a pena?” E se você desvia o olhar, fingindo não ter me ouvido, eu sei que é hora de dizer adeus.

Como vai esse meu coração...


É quando o coração da gente tá cansado e frustrado, que ele explode e faz com que as palavras se ascendam, se misturem e soltem faíscas. Eram todas motivos da mesma exaustão de sempre. Aqui vai mais uma carta com palavras acompanhadas de uma exaustão que vem de dentro de um coração que no lugar de sangue, bombeia amor. Tem algo errado. É como se ele estivesse velho, cansado de bater tanto sozinho. Só o que falta são as batidas do seu, pra que ele consiga voltar ao perfeito ritmo do dia-a-dia de quem ama tanto amar você. É preciso que o seu coração esteja ao lado meu. Mesmo quando você não está mais aqui, ele age em seu nome, porque bate em consonância com o seu. Mas eu não ouço mais essa harmonia, e nem consigo mais enxergar todos aqueles detalhes de felicidade, que faziam a gente sorrir á toa, o tempo todo. É disso que sente falta esse coração, que tá batendo tão pouco, quase parando, sem nenhuma esperança. Por onde você anda? Se estiver lendo, volta. Quem suplica aqui não é nem mais eu, é esse meu pobre coração. Aquele que eu disse ser seu, sabe? Acho que de fato, eu te entreguei, sinto que não o tenho mais comigo. Quase não o sinto bater. Na verdade, o que eu sinto mesmo é um vazio dentro do peito. Traz ele de volta, por favor. Se puder, traz você também. Mas fica. De nada adianta você ir embora, ele já não sabe mais viver sem você, ele só bate forte quando te vê, ele tá quase parando sem você, ele só entende uma palavra: você.

Mais um daqueles desabafos...

Eu só acho que se fosse mesmo real, se fosse pra ser eu e mais ninguém, você olharia pra mim como eu olhava pra você, e se você me amasse você não tinha me deixado ir embora. Teria gritado o meu nome, e me perguntado se a gente podia sentar e conversar de novo. Mais uma vez. Só pra conversar mais, pra tentar se entender um pouco mais. Por que quando a gente ama, nada nunca é demais. Quando a gente ama, a gente aprende a ficar. Mais do que isso, a gente decide ficar e nada mais importa, o resto é resto. Caso contrário, não é amor. Mas nem você nem ninguém quer saber disso. Tudo ficou tão banalizado, uma vez que dizer “eu te amo” virou a coisa mais comum do mundo, da mesma forma que mudar de idéia e dizer “eu não te amo mais” virou praticamente que uma regra. O mundo oferece alguma coisa que tem uma embalagem tão bonita e interessante, mas quando você abre e experimenta, pode até ser o que você queria, mas nunca é o que você precisava – fica sempre faltando alguma coisa. Fica faltando um tempo a mais pra conversar, fica faltando aquela dedicação maior, fica faltando amor de verdade. E cada dia que passa, eu não sei mais onde isso vai parar. Tantas vezes, mesmo tendo tudo, a gente ainda sente que tem alguma coisa faltando. Acontece que o 'tudo' que temos em mãos não é o 'tudo' que o coração deseja tanto, pra que aí então, tudo realmente, faça sentido. 

Falar e Pensar

As vezes eu penso bem antes de falar. Outras penso o dobro, e decido não falar. Mas ainda tem quando eu nem sei o que é pensar, e disparo a falar sem nem ao menos olhar pra frente, pro lado, ou pra qualquer outro tempo ou espaço. Falo de mim, falo do nada, do que virá e do que já foi. Falo do que poderia ter sido. De repente, uma onda de silêncio me invade e me calo. É quando o silêncio fala por mim, por que eu falo pelos olhos, pela pele, pelos gestos, pelo quieto. Acabo falando demais, no fim das contas. E o tempo que sobra, eu vejo se ficou faltando alguma coisa importante por dizer. E ponto final. Ou três pontos?

Os Sentimentos Gritam: "Coragem!"

Sabe aquele arrepio ou friozinho na barriga, aquele aperto no coração e aquela falta de ar que dá, pensando naquele alguém especial, lembrando de um momento, sentindo aquele cheiro, sonhando acordada pela milésima vez com o primeiro amor, ouvindo a música que te marcou tanto, entre tantas outras situações inusitadas que a vida te traz? Ás vezes são arrepios por culpa da ansiedade, ou da urgência em ser feliz de uma vez. Ás vezes são apertos que fazem doer tanto o coração, - ás vezes dói o corpo inteiro - trazendo uma saudade e uma vontade de chorar por tudo aquilo que ainda está engasgado dentro de você. Mas, sabe de uma coisa? Arrepios ou apertos, eles trazendo alegrias ou tristezas, no fundo, o que a gente quer é reviver tudo aquilo de novo. Queremos que a felicidade dure pra sempre, ao contrário da tristeza por culpa de alguma coisa que nos fez sofrer, porém, que se deixou saudade, valeu a pena. Sejam felizes ou tristes, os arrepios e apertos que estão pra me acontecer, eu não abro mão de nenhum deles, e não tenho vergonha de senti-los toda vez que eles resolverem bater na minha porta, querendo um lugarzinho dentro do meu coração, ou querendo fazer uma bagunça na minha barriga. Os sentimentos, assim como a vida, é uma caixinha de surpresas. Nos pegam sempre tão desprevenidos, e se queremos de fato senti-los como eles realmente são, temos que ter a cara e a coragem de continuar sentindo. Seja lá o que for, seja lá o que estiver por vir, não importa o que aconteça. Aceitar o risco de dar tudo certo, ou de dar tudo errado. Sentir tudo isso, muitas vezes é tão arriscado, afinal quem nos dá a garantia de que ainda vamos ter aquilo que estamos vivendo e sentindo amanhã de manhã? Arriscado sim, é verdade, mas necessário. Eu vejo as pessoas com medo de se permitir sentir. Pessoas se escondem ou fogem da realidade que estão vivendo. Procuram distrações, e deixam o “agora” pra depois. O problema é que, quando deixamos pra lá, é mais uma desculpa de não querer enfrentar o que está logo ali, te esperando. Você deixa aquilo pra depois, mas ele não vai á lugar nenhum, continua ali, te esperando. Os sentimentos sempre gritam: “coragem”, mas tantas vezes não conseguimos, ou não temos mais forças pra senti-los. Mas, precisamos! Por mais que nos tragam tristeza e apertos no coração, deixe doer, vai passar. E se trazem consigo, felicidade com direito a arrepios e friozinhos na barriga, lembre e relembre de como foi bom! A vida é feita de todos esses momentos, bons e ruins. Não podemos exigir e nem evitar que sejam de outra maneira. Tudo o que podemos fazer é viver, rir, lembrar, chorar, errar, aprender, reviver, e mais do que tudo: nunca perder a coragem de senti-los. Ignorá-los está completamente fora de cogitação, pra quem quer sentir a graça e a beleza de se viver.