De repente, medo

Quando as coisas complicam, dá vontade de fugir, por que o coração acelera e as palavras somem. Tava tudo certo, e de repente, alguma coisa que foi dita sem querer muda o rumo do meu pensamento e eu já não sei mais o que dizer. E tudo isso pode até parecer besteira, mas pra mim na verdade chega a ser tudo uma loucura, por que eu tenho essa mania inevitável de intensificar tudo ao meu redor. Dá medo, dá vontade de recuar e colocar um ponto final pra evitar logo o sofrimento. Dói até pra escrever, por que escrevendo, a gente anuncia o que tá pensando, a gente admite o que tá sentindo. Entre uma palavra e outra, e a música lenta, eu respiro fundo e tento entender o que antes, a gente sendo só amigo tava tão claro pra mim. Por que, uma vez que as coisas são ditas e ficam claras, não tem mais como voltar atrás. A minha fragilidade fica escancarada, e nem se trata mais do que você me disse minutos atrás, mas sim da minha reação ao ser pega de surpresa. Eu não gostei desse silêncio absoluto que vinha de dentro do meu peito, eu pensava em você e era tudo tão barulhento e colorido, mas agora eu não escuto e nem enxergo nada. Quando as coisas complicam assim dentro de mim, bate um desespero, perco o rumo, e eu só quero a clareza do que eu tava sentindo de novo de volta, sem sentir essa pressão de ter que quebrar o silêncio que veio de mim até você, ter que te dizer alguma coisa, e acabar me arriscando tanto ao dizer tudo em voz alta. Ao fazer os pensamentos virarem palavras ditas, indiretas adquirirem um valor e um significado tão maior, ao ponto de complicar a história de um jeito que nem eu, nem você vamos conseguir voltar atrás. 

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