Luto

Quando alguém querido, mas que era tão ausente se vai. Como nos sentimos diante de situações assim? Dói, é claro que dói muito, o amor e o carinho não são dependentes de tempo algum. Mais do que isso, uma única palavra que acaba explicando tudo: Família. Generalizando, falando de mãe, pai, irmão, tia, vô, prima. Família é aquela turma bagunçada, por que cada um tem uma opinião diferente, e ao mesmo tempo que todo mundo se odeia, todo mundo se adora. É assim com os meus irmãos, por exemplo. É uma loucura, um briga com o outro ás vezes 24 horas por dia, mas eu sou loucamente apaixonada e não vivo sem eles. Chega no final do dia, vira aquela zona gostosa, e todo mundo acaba ficando bem um com o outro, como se nada daquilo tivesse acontecido. Existem os que falam demais e os que falam de menos. Os que fazem demais, os que não fazem absolutamente nada. E é assim que a gente vai vivendo, um aceitando (ou aturando) o outro. Por que somos Família, onde cada um tem o seu papel, com pequenas palavras ou com grandes ações, no final, é tudo importante pra que a casa permaneça de pé. Por que somos a base um do outro. Por que o amor é incondicional. Haja o que houver, eles estarão lá por você. Na alegria, na dor, no luto. E você também estará lá por eles.
Um dos meus avôs faleceu, e mesmo que ele não tenha sido presente e nem tenha demonstrado o mínimo de consideração conforme o tempo foi passando, a morte dele mexeu comigo. Não só por mim, como neta, mas muito mais como filha, ao ver a minha mãe sofrer e chorar de tal forma que só um momento como aquele me faria pensar pra valer sobre algumas coisas. Pensamentos que se deram não só ao sentir toda a ausência de um avô que na verdade nunca agiu como tal, mas muito mais ao sentir a ausência de um pai que ele raramente foi pra minha mãe. A morte em si nos faz refletir muito, mas quando é alguém que tem (ou deveria ter) um valor especial, a nossa reflexão muda. A reflexão que eu fiz, nesse caso, olhando pra vida que eu conhecia do meu avô, fez com que um lado muito grande e forte dentro de mim me puxasse, reforçando o que o meu sub consciente já sabia, e que quando sentiu a morte de alguém, acordou pra cutucar a consciência e deixar tudo muito claro. Porque Família pra mim, é tudo. Não é perfeita - ilusão seria pensar que algo além de Deus e do amor que Ele tem por todos nós é perfeito - mas Família significa muita coisa, e eu simplesmente fico irritada e inconformada com aqueles que não sabem dar o devido valor. O pouco que eu o conheci e passei com ele foram momentos bonitos de se lembrar, e eu sou grata por isso. Eu só não consigo ficar em paz ou desligar o meu cérebro quando alguma coisa ou alguma pessoa tão importante na vida de alguém é tão assim, meio termo. É claro que muitas coisas aconteceram pra que hoje seja tudo assim, e em consequencia, ser o que somos hoje. Muitas coisas não saem como esperamos ou planejamos, ás vezes por que estão fora do nosso controle, e sendo assim temos que simplesmente aceitar o rumo em que elas seguiram, mas eu acho que sempre temos a opção de nos levantar e ao menos tentar reverter a situação. O problema é que quando se trata de pessoas, é tudo tão (desnecessariamente) complicado.
Eu só sei que aquela frase que as nossas mães insistem tanto em repetir quando as deixamos extremamente preocupadas, "quando você for mãe, você vai entender", ao mesmo tempo em que eu não entendo, eu entendo. É que existem aqueles momentos em que a gente passa a olhar pros nossos pais, batemos o pé no chão e dizemos com absoluta certeza de que jamais faremos algo igual á eles, quando isso está ao mesmo tempo tão longe e tão fora do nosso entendimento. Isso só vamos descobrir ao vivenciar a experiência de ter tamanha responsabilidade e um amor incondicional pelos nossos futuros filhos, sobrinhos, netos. Acredito sim que algumas coisas, á partir do olhar que adquirimos em certas situações nos impeçam de sofrer a repetição de um erro no futuro. Existem coisas que de fato marcam a nossa vida, e quando aquela situação voltar pra você, e você estiver no controle, muito provavelmente o que aconteceu no passado te faça agir de uma forma diferente. Da forma que você julgue ser correta, ou simplesmente da forma que você queria que tivesse acontecido. Mas o futuro é sempre incerto. Muitas coisas mudam completamente quem nós somos, outras, aconteça o que acontecer, faz com que permançamos os mesmos, inatactos. Mas existem coisas que, não importa o que for, a ligação fala (ou pelo menos deveria falar) mais alto. É quando é mais do que uma simples obrigação de Pai ou Mãe, você faz por que o amor incondicional existe ali, em você e no outro. Só sei que ao olhar o meu avô ali, já falecido, me fez chorar por ele ser exatamente o que o nome diz: em primeiro lugar, pai da minha mãe, e em segundo lugar, meu avô, sendo que pra nenhuma de nós, ele não agiu como tal. Pensei mais um pouco, e dessa vez, chorei em consequência da ausência que ele cometeu, criando um abismo tão grande entre nós, me impedindo de cumprir o nome que eu carregava: neta. Eu gosto de pessoas, mas a minha Família, eu amo. A sensação de cumprir os meus deveres de filha com os meus Pais, ou conseguir ser mais do que uma irmã pros meus irmãos, conseguir conquistá-los e poder dizer que sou uma amiga pra eles, é tão bom e isso basta.
Situações e lições que eu tiro da minha Família de uma forma geral são inúmeras, afinal, ninguém ali é perfeito, muito menos em convivência um com os outros, mas eu particularmente, com os meus mil e um defeitos não procuro a perfeição, mas busco sempre ser uma pessoa melhor. O meu avô materno se foi, e isso trouxe uma ausência muito maior do que já existia antes - a ausência agora é definitiva - e isso me fez pensar no que já existia dentro de mim, de uma forma muito mais forte, com muita mais vontade. No meu futuro, com a minha Família, farei sempre o que estiver ao meu alcançe pra que não existam abismos, buracos, pra que a casa de ninguém fique ameaçada de cair assim, tão de repente. Pra que as lembranças e momentos sejam inesquecíveis. Que eu seja quem eu tenha de ser pra quem eu precise ser. Começando á partir de agora. Filha, irmã, sobrinha, prima, neta, bisneta. Que mesmo eu sendo tudo isso ainda que de uma forma imperfeita, que eu seja com muita presença, vontade, respeito, amor e dedicação. Por que é isso e muito mais que Família
é. Um é presente de Deus na vida do outro, é o porto seguro que se a gente cuidar bem e dar o devido valor, por mais que o caminho seja complicado, no final é sempre compensador. E é isso que eu quero pra mim. É de uma bagunça cheia de imperfeições que eu quero participar. Seja como for, mas que eu seja o máximo que eu conseguir ser, e que eu participe com muito, muito, muito amor.

Destinatário: Confusão. Assunto: Vê se me erra!

Nunca estive tão confusa. Você acha que sempre está certa em tudo e pensa que é realmente muito inteligente, até que se vê perdida e se perguntando milhões de vezes a mesma coisa, em meio a situações completamente supérfluas. Isso é dúvida. Epa! Desde quando eu tenho esse acúmulo de dúvidas na minha prateleira? Indecisão não combina comigo, e de repente eu to aqui, sentada esperando um sinal pra me mostrar em qual direção eu devo seguir. Dessa vez não é medo, eu fico mesmo é irritada quando eu não encontro respostas, embora eu pense que isso deve ser normal pra maioria das pessoas. Mas comigo não. Eu preciso saber o que fazer, insegurança não me atrai. “Maldita mania de fazer planos”, penso alto comigo mesma. E tem que estar tudo certo, do jeito que eu quero e planejei. Conseqüentemente sou na maioria das vezes, extremista. Se não for assim, é melhor que não seja, e eu prefiro fingir que eu sei muito bem o que está acontecendo e que tenho tudo sob controle, porque você definitivamente não pode saber que até eu tenho minhas dúvidas e inseguranças. Há quem diz que tudo isso é só uma fase, por que minha vida anda agitada demais, e tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. E tem mesmo, não tennho nem como negar, mas acontece que do meu ponto de vista extremista, ainda que eu venha sentindo toda essa bagunça, não é justificativa pra surtar. Já dizia Clarice Lispector: ou toca, ou não toca. Chega um momento que ou você agarra, ou deixa ir. As coisas passam para o temível nível em que a frase se tranforma em “ou sente, ou não sente”, e eu sinceramente, não sabia mais o que eu sentia. O problema é que quando a gente tá sozinha há muito tempo a gente acaba fazendo muita confusão. Ao mesmo tempo em que sabemos tão bem o que queremos, essa nossa lista com o lembrete “coisas importantes” se mistura com o que nós temos em mãos, que se mistura com a idealização que fazemos de tudo aquilo, que se mistura ainda mais com o que de fato merecemos. Sem contar quando existem aqueles de fora dando palpites, apontando o dedo na sua cara. De repente, a gente já não sabe de mais nada mesmo, porque quando paramos pra pensar e decidir alguma coisa, já é tarde demais. Você já se envolveu e parece impossível voltar atrás com tanta gente e com tanta coisa acontecendo – e se acontece de você não ter se envolvido, é lógico que a dúvida aparece pra te infernizar, e aí então, também começa a ficar tarde demais. Fica tarde demais de qualquer jeito, afinal, não somos donos do tempo, e não se força ou se apressa sentimento algum. É quando eu me lembro e entendo qual foi a confusão da vez. A emoção só nos leva a cometer besteiras e a razão deve ser sempre o critério principal. Eu me irrito por que é quase impossível fugir e sair ilesa de uma guerra dessas.

Pra você, meu querido amor estranho


É Setembro. Setembro tem 30 dias, como a maioria dos outros 11 meses do ano, mas em Setembro, como em Abril, só existe um dia extremamente importante pra mim. Sabe que eu estava mesmo me perguntando quando seria que eu voltaria a escrever sobre você. Você que foi tudo um dia, e que é hoje uma pessoa completamente estranha. Tanto tempo já se passou, e mesmo que você não esteja mais aqui e não seja o ‘tudo’ que era antes, ainda continua sendo tanto! Tanto no meu coração, tanto na minha forma de enxergar a vida, tanto no meu jeito de ser, pensar, agir, cantar, falar, chorar. Isso comprova aquela coisa que todo mundo diz, de que cada pessoa que passa na sua vida deixa uma marca. Mas você deixou muito mais que uma marca.  E nesse dia especial, tudo o que eu mais queria é que nós não fossemos mais estranhos, pra que eu pudesse te ligar e dizer o quão maravilhoso você é, foi e sempre será. Perguntar sobre o seu dia, te desejar um Feliz Aniversário e te falar as manjadas, porém sinceras palavras “eu sinto muito” é maior do que eu. Vontade de poder – porque sinto mesmo que eu não posso, sinto que esse simples gesto de educação e carinho não cabe mais á mim já faz um tempo – é tão grande, tão grande. O fato de sermos completos estranhos desde que tudo acabou também é grande, acompanhando cada pensamento meu sobre você. Teimosa que sou, digitei seu nome. Sua página é cheia de recados dos milhões de amigos que temos em comum. Sinto uma pontinha de inveja. Nem sua amiga eu sou nas redes sociais, e é esse o nosso nível de “estranhos”. Reconheço e sei que boa parte da culpa é minha, mas não quero falar disso porque sou orgulhosa desse tamanho, e não vem ao caso. Nada disso, aliás, vem ao caso, muito tempo se passou e as pessoas brigam tanto comigo, só porque quando eu falo seu nome, meus olhos ainda brilham e o meu sorriso aparece, tomando conta de mim. É inevitável, e mesmo que eu pudesse evitar, jamais o faria. Mas nada desses detalhes no meu comportamento quer dizer o que já foi um dia. O que eu vejo aqui é que hoje, a forma em que eu penso, escrevo e falo sobre você mudou. O tempo que passou tem o seu devido reconhecimento, é claro, mas o que as pessoas não entendem é que chegou ao ponto de que não é mais sobre o tempo que passou, e sim, sobre o que você significou e vai significar sempre pra mim. São coisas que tempo nenhum vai mudar. Você sabe que tem o meu carinho imensurável e um lugar no meu coração que ninguém pode substituir. E hoje, era só isso que eu queria poder te dizer. Parando e pensando em tudo que passamos, vivemos, e sonhamos juntos, poder te dizer que mesmo a gente ter passado de amigos-amantes que fizeram planos e juras de amor eterno, pra estranhos que somos hoje, a história que tivemos juntos sempre vai falar mais alto. Mais alto que esse nível estranho que temos e somos. Mais alto que o meu orgulho – escrever sobre você era a coisa mais difícil dessa vida. E pra não perder o costume do meu jeito de palhaça, ressaltar que tudo bem você estar namorando essa mulher loira, alta e estranha, (tô sendo boazinha) não que ela seja feia, mas ela também não é linda assim, não pra você. Tá tudo bem, tudo tão bem, e eu fico feliz por tudo que chega até mim sobre você. O que eu mais quero é ver você feliz, com um futuro maravilhoso com muito, muito amor, mesmo que não seja o meu. Não é mais papo de um coração que foi quebrado e ficou sem rumo, com os cacos no chão. É papo de um coração novo onde você ainda tem um lugarzinho especial, mas que se incomoda por estar tão distante assim de você. Queria poder te olhar e te contar o que desse na minha telha naquele momento, te fazer rir, e ir embora. Isso seria suficiente.

Feitos pro Silêncio

Tem momentos em que as palavras simplesmente se escondem atrás da primeira porta que eu encontro, ou se encolhem dentro de um baú antigo que eu nem lembrava que eu tinha guardado. Elas somem, e eu fico aqui olhando pro nada pensando sobre as horas e momentos em que eu poderia ter dito tanta coisa, mas não consegui ou não sabia como. Talvez fossem mesmo esses momentos feitos pro silêncio e eu, com a minha mania exagerada de querer pintar tudo com letras e números, cheia de conceitos e justificativas, fico pensando e tentando entender o que se passava nos centímetros que separavam os seus olhos dos meus. Mas eu não conseguia. Meu sorriso escapava. Meus olhos brilhavam. A minha transparência inevitável aparece pra você. É quando a gente se perde. É quando as palavras estão predestinadas a se perderem pro silêncio acontecer. Um silêncio bom, sem ligação alguma com a realidade, como se todo o resto tivesse ido embora com o que eu queria te dizer antes de você me olhar e bagunçar a realidade, criando todo esse universo paralelo onde nós estamos agora. Eu, você, e o silêncio. É mais um daqueles momentos que se eu pudesse, emoldurava e fazia questão de olhar e me inspirar todos os dias, sem pensar em mais nada.

A volta pra casa depois de ter você

Eu chego em casa sorrindo, sentindo as borboletas em plena euforia no meu estômago. Ainda é tão confuso, mas tudo o que eu sei é que eu me sinto tão bem, e tudo isso por que você sorriu de volta quando eu sorri pra você. A vontade de te abraçar não passa, e isso me dá um medo. Eu acabei de te ver e de te dar um beijo de despedida, e logo me pego pensando exaustivamente em você, esperando pelo seu "boa noite" pra que eu possa enfim dormir em paz. Eu olho o celular de 5 em 5 minutos pra ter certeza que o seu nome ainda não piscou, e a vontade de te ver de novo começa a virar necessidade. A saudade bate, e dá vontade de te ligar e dizer que tudo o que eu mais queria agora era você aqui, deitado do meu lado, com o seu abraço apertado que se encaixa perfeitamente com o meu, pra poder sentir seu cheiro e ficar ali, prolongando o momento, só por que eu gosto tanto de sentir o seu cheiro se misturando com o meu.

Você que virou meu novo "meu"

“Não tô brava com você”, ela disse fazendo careta.  “Tô brava comigo mesma, só pra variar.” “Não fica brava com a minha lindinha”, ele respondeu. A palavra “minha” ecoou na sua cabeça. De repente, ela era de alguém de novo.  Logo ela que tava tão acostumada com a solidão, acostumada a ser só dela mesma e de mais ninguém, se deu conta que em tão pouco tempo, tinha se tornado de alguém, e de um alguém tão especial, sem querer - querendo.  Queria sim. Queria ter alguém pra chamar de “meu”, e ser chamada de “minha”, mas depois de todo esse tempo, mais do que isso ela queria alguém que lutasse por ela. Por que é isso que nós, mulheres, queremos. Um amor que lute por nós, por que é sempre a gente que luta, que chora, que liga, que sofre, que engorda, que chora, que escreve, e que chora de novo. Como se nada disso fosse suficiente, ainda temos que lidar com o trauma que tudo isso acaba virando, e tomar o cuidado pra não se perder do amor. Por que o filho da mãe vai embora, ás vezes levando o amor junto, ás vezes largando ele em qualquer esquina da vida, deixando a gente sozinha e vazia, sentindo frio. De qualquer forma, o amor se torna um problema tão grande, mas tão grande, que ás vezes a gente acaba se perdendo, e só nos damos conta quando ele aparece assim, de repente, querendo atenção, fazendo carinho, sussurrando as palavras mais bonitas no seu ouvido, dizendo que agora você é dele, até que você percebe que... ele também é seu. 

Idas e Vindas

E depois daquela noite gostosa, sentir aquela felicidade de se ver de novo e ter aquelas conversas que começam naturalmente, entre a timidez e a vontade de falar sem parar e poder sentir tudo o que tá rolando na atmosfera. Assunto vai, assunto vem, a gente para, fica se olhando, tentando traduzir todos esses olhares – os dele, azuis, sérios e misteriosos, os dela, sempre tão intensos e sorridentes não conseguindo evitar a felicidade daquele momento – o de se perder nos olhos dele. O sentimento de ficar ali perdida gritava dentro dela, não conseguindo evitar o que sentia quando o reencontrava depois de tanto tempo. Isso só era assim por que nada daquilo era claro. Quando pensava nele, ficava tão longe de enxergar a realidade. Ele, sempre tão curioso sobre cada detalhe que ela sem querer deixava transparecer, resolveu ligar e dizer que estava com saudade, e dessa vez, se encontraram. Conversando, ela tentava explicar pra ele – e pra ela mesma - o motivo absurdo de sentir tudo aquilo, mesmo depois de tanta distância e de tanta dor. Chegaram a mesma conclusão, o que era bom, raramente concordavam, mas ainda assim, não era uma explicação suficiente pra dar aquele alívio pro coração respirar em paz. “Tem alguma coisa em você, que me mantém presa.” ela disse olhando pra ele, logo desviando o olhar com medo de ter se entregado ali, naquela frase. “Você é diferente de todas as outras mulheres que eu já conheci.”, ele disse falando sério, adimitindo quase que ferindo o orgulho - que era grande. "Você é como se fosse uma exceção." É claro que ela sorriu e o coração respirou um pouco melhor. “Mas a gente nunca se resolve, e esse tipo de relacionamento nunca me deixa em paz.” Era quando o silêncio chegava. Era o silêncio, ou o começo de uma discussão - que acaba sendo sempre em vão. Eles mal se viam ou tinham momentos como aquele pra se acertarem e um poder dizer pro outro o que realmente sentia com momentos tão raros e únicos que tinham juntos. Só pra ficar se olhando, falando besteira, rindo á toa. Era o que mais faziam quando estavam juntos. Se re-apaixonavam um pelo outro, como se fosse a primeira vez.  Talvez fosse mesmo a melhor hora praquele reencontro ter acontecido. Ela decidiu dizer tudo, sem deixar que nenhuma palavra ficasse escondida. Mesmo que a história acabasse ali, sentiria um alívio por não guardar mais nada. Coisas que ele também precisava dizer, mas nada que faria com que a história tomasse um rumo muito diferente, a conclusão dela continuaria sendo a mesma. Só que por mais óbvias que eram as coisas, elas precisavam ser ditas, mais do que isso, elas precisavam ser demonstradas. Talvez seria ali que ela conseguiria enfim enxergar o que tanto precisava. Escutar o que ela no fundo já sabia, mas precisava de momentos assim pra poder sentir de verdade, a verdade. Mesmo com tantas idas e vindas, ela vivia todos esses momentos como algo tão especial, e ele já nem lembrava de mais nada. Clareou ali, naquele instante. A história de se apaixonar sozinha aconteceu de novo. Decidiu então, acabar com as idas. Depois daquele dia, era só a vinda de volta pra casa. Sozinha. Escreveu um ponto final, largou o lápis, respirou fundo e fechou o livro.

De repente, medo

Quando as coisas complicam, dá vontade de fugir, por que o coração acelera e as palavras somem. Tava tudo certo, e de repente, alguma coisa que foi dita sem querer muda o rumo do meu pensamento e eu já não sei mais o que dizer. E tudo isso pode até parecer besteira, mas pra mim na verdade chega a ser tudo uma loucura, por que eu tenho essa mania inevitável de intensificar tudo ao meu redor. Dá medo, dá vontade de recuar e colocar um ponto final pra evitar logo o sofrimento. Dói até pra escrever, por que escrevendo, a gente anuncia o que tá pensando, a gente admite o que tá sentindo. Entre uma palavra e outra, e a música lenta, eu respiro fundo e tento entender o que antes, a gente sendo só amigo tava tão claro pra mim. Por que, uma vez que as coisas são ditas e ficam claras, não tem mais como voltar atrás. A minha fragilidade fica escancarada, e nem se trata mais do que você me disse minutos atrás, mas sim da minha reação ao ser pega de surpresa. Eu não gostei desse silêncio absoluto que vinha de dentro do meu peito, eu pensava em você e era tudo tão barulhento e colorido, mas agora eu não escuto e nem enxergo nada. Quando as coisas complicam assim dentro de mim, bate um desespero, perco o rumo, e eu só quero a clareza do que eu tava sentindo de novo de volta, sem sentir essa pressão de ter que quebrar o silêncio que veio de mim até você, ter que te dizer alguma coisa, e acabar me arriscando tanto ao dizer tudo em voz alta. Ao fazer os pensamentos virarem palavras ditas, indiretas adquirirem um valor e um significado tão maior, ao ponto de complicar a história de um jeito que nem eu, nem você vamos conseguir voltar atrás. 

Calmaria

Tem coisa que é melhor não falar. É melhor quando a gente guarda, quando a gente esconde. É como quando a gente tem tanto pra dizer, mas só de tentar, sai daquele jeito mais ou menos. Se a gente fala, a situação piora ou fica tudo mal entendido. Mas tem quando a gente precisa falar. É melhor falar, é quando não dá pra guardar nem esconder nada. Se a gente guarda pra depois, as coisas começam a ficar com uma intensidade tão grande que acaba explodindo, e quando a gente menos espera, dá aquela vontade de vomitar tudo. No fim do dia, a gente acaba aprendendo. Depois que tudo foi guardado pra ser pensado com mais cautela, ou foi dito na pressa por culpa da necessidade, é tão bom sentir aquela paz. Era tudo o que eu queria. Calmaria.
Eu ando uma zona esses últimos meses. Tanta coisa acontecendo comigo, é como se eu estivesse dentro de uma montanha russa, enquanto isso eu vou tentando me equilibrar durante o percurso cheio de altos e baixos, curvas e loopings, sem perder a linha.
Me perguntei tantas vezes se devia falar, ou guardar tudo pra outra hora. Eu fiquei tão confusa, mas eu simplesmente não conseguia retribuir tudo o que estavam me dando ou esperando de mim, e nada daquilo era certo. Cheguei a pensar que o problema era comigo. Pensei melhor, e talvez o problema era ser do jeito que eu sou. E aí, eu vou levando tudo de um extremo pro outro. Eu cheguei a ficar com medo, medo de ficar tão sozinha, de novo. Deu vontade de fugir, mas eu sabia que se eu fizesse isso, eu me perderia de vista. Mas eu precisava de uma fuga, sentia que eu seria atropelada pela vida á qualquer momento. Não era cansaço, nem raiva ou nada do tipo, eu só queria acordar de manhã e respirar a dose certa de tranqüilidade que eu precisasse pra encarar mais aquele dia. Sem exigir respostas de mim mesma, sem ter que guardar ou vomitar tudo o que eu estava sentindo pra quem sem querer, depositou a maior expectativa em mim. Eu só queria um momento de calmaria. Só Deus e eu. 

O poder de mudar o rumo

Impressionante como algumas palavras e gestos mudam completamente o rumo da história. Bom, a minha versão da história. É tudo uma questão de opinião. O jeito que encaramos determinadas situações e fases da vida são tão diferentes, o que torna as histórias que temos pra contar sempre interessantes. O comportamento das pessoas são tão únicos, por que cada um tem seu jeitinho de agir, de dizer, de demonstrar, de fazer parte da história. O jeito que você encara e aceita as coisas da vida é o que faz a sua versão ser diferente, é o que faz você ser único na história das pessoas. Nós temos as pessoas, a vida nos dá tantas chances e oportunidades, e o poder de mudar o rumo ou de fazer a história ser uma história especial, está em nossas mãos.

É falta de...

As pessoas vivem apressadas, na correria e na urgência pra tanta coisa boba, determinando coisas tão erradas como prioridades. Falta pressa em se atentar pro que vale a pena viver, falta correria em dar atenção ás verdadeiras prioridades da vida, falta urgência em ser feliz de verdade.

Exigindo mais, cada vez mais

O negócio é o seguinte: depois de tudo, a gente acaba exigindo cada vez mais, e por conta disso, o medo chega. Chega, e traz tudo novo. A gente sente aquela exaustão, e começa a se perguntar se vale mesmo a pena correr o risco. Aí eu olho pra você, e tento enxergar além do que eu sempre vejo, por que na verdade, o que eu vejo quando olho pra você não vale, não conta. Preciso ver além daquilo que o meu coração enxerga; Preciso olhar não mais com o coração. Esquecer de toda a emoção, e olhar com os olhos pra encontrar a razão, que vive fugindo de mim. Depois de muito tempo, eu consigo a resposta, mas quando a gente gosta de verdade, não importa o quão cansada você possa estar, mesmo sem forças, você respira fundo e dá mais uma chance pras coisas se acertarem. A esperança é mesmo, a última que morre. É aí que eu insisto em perguntar pra você antes de pegar as minhas coisas e ir embora. “E aí? Vale a pena?” E se você desvia o olhar, fingindo não ter me ouvido, eu sei que é hora de dizer adeus.

Como vai esse meu coração...


É quando o coração da gente tá cansado e frustrado, que ele explode e faz com que as palavras se ascendam, se misturem e soltem faíscas. Eram todas motivos da mesma exaustão de sempre. Aqui vai mais uma carta com palavras acompanhadas de uma exaustão que vem de dentro de um coração que no lugar de sangue, bombeia amor. Tem algo errado. É como se ele estivesse velho, cansado de bater tanto sozinho. Só o que falta são as batidas do seu, pra que ele consiga voltar ao perfeito ritmo do dia-a-dia de quem ama tanto amar você. É preciso que o seu coração esteja ao lado meu. Mesmo quando você não está mais aqui, ele age em seu nome, porque bate em consonância com o seu. Mas eu não ouço mais essa harmonia, e nem consigo mais enxergar todos aqueles detalhes de felicidade, que faziam a gente sorrir á toa, o tempo todo. É disso que sente falta esse coração, que tá batendo tão pouco, quase parando, sem nenhuma esperança. Por onde você anda? Se estiver lendo, volta. Quem suplica aqui não é nem mais eu, é esse meu pobre coração. Aquele que eu disse ser seu, sabe? Acho que de fato, eu te entreguei, sinto que não o tenho mais comigo. Quase não o sinto bater. Na verdade, o que eu sinto mesmo é um vazio dentro do peito. Traz ele de volta, por favor. Se puder, traz você também. Mas fica. De nada adianta você ir embora, ele já não sabe mais viver sem você, ele só bate forte quando te vê, ele tá quase parando sem você, ele só entende uma palavra: você.

Mais um daqueles desabafos...

Eu só acho que se fosse mesmo real, se fosse pra ser eu e mais ninguém, você olharia pra mim como eu olhava pra você, e se você me amasse você não tinha me deixado ir embora. Teria gritado o meu nome, e me perguntado se a gente podia sentar e conversar de novo. Mais uma vez. Só pra conversar mais, pra tentar se entender um pouco mais. Por que quando a gente ama, nada nunca é demais. Quando a gente ama, a gente aprende a ficar. Mais do que isso, a gente decide ficar e nada mais importa, o resto é resto. Caso contrário, não é amor. Mas nem você nem ninguém quer saber disso. Tudo ficou tão banalizado, uma vez que dizer “eu te amo” virou a coisa mais comum do mundo, da mesma forma que mudar de idéia e dizer “eu não te amo mais” virou praticamente que uma regra. O mundo oferece alguma coisa que tem uma embalagem tão bonita e interessante, mas quando você abre e experimenta, pode até ser o que você queria, mas nunca é o que você precisava – fica sempre faltando alguma coisa. Fica faltando um tempo a mais pra conversar, fica faltando aquela dedicação maior, fica faltando amor de verdade. E cada dia que passa, eu não sei mais onde isso vai parar. Tantas vezes, mesmo tendo tudo, a gente ainda sente que tem alguma coisa faltando. Acontece que o 'tudo' que temos em mãos não é o 'tudo' que o coração deseja tanto, pra que aí então, tudo realmente, faça sentido. 

Falar e Pensar

As vezes eu penso bem antes de falar. Outras penso o dobro, e decido não falar. Mas ainda tem quando eu nem sei o que é pensar, e disparo a falar sem nem ao menos olhar pra frente, pro lado, ou pra qualquer outro tempo ou espaço. Falo de mim, falo do nada, do que virá e do que já foi. Falo do que poderia ter sido. De repente, uma onda de silêncio me invade e me calo. É quando o silêncio fala por mim, por que eu falo pelos olhos, pela pele, pelos gestos, pelo quieto. Acabo falando demais, no fim das contas. E o tempo que sobra, eu vejo se ficou faltando alguma coisa importante por dizer. E ponto final. Ou três pontos?

Os Sentimentos Gritam: "Coragem!"

Sabe aquele arrepio ou friozinho na barriga, aquele aperto no coração e aquela falta de ar que dá, pensando naquele alguém especial, lembrando de um momento, sentindo aquele cheiro, sonhando acordada pela milésima vez com o primeiro amor, ouvindo a música que te marcou tanto, entre tantas outras situações inusitadas que a vida te traz? Ás vezes são arrepios por culpa da ansiedade, ou da urgência em ser feliz de uma vez. Ás vezes são apertos que fazem doer tanto o coração, - ás vezes dói o corpo inteiro - trazendo uma saudade e uma vontade de chorar por tudo aquilo que ainda está engasgado dentro de você. Mas, sabe de uma coisa? Arrepios ou apertos, eles trazendo alegrias ou tristezas, no fundo, o que a gente quer é reviver tudo aquilo de novo. Queremos que a felicidade dure pra sempre, ao contrário da tristeza por culpa de alguma coisa que nos fez sofrer, porém, que se deixou saudade, valeu a pena. Sejam felizes ou tristes, os arrepios e apertos que estão pra me acontecer, eu não abro mão de nenhum deles, e não tenho vergonha de senti-los toda vez que eles resolverem bater na minha porta, querendo um lugarzinho dentro do meu coração, ou querendo fazer uma bagunça na minha barriga. Os sentimentos, assim como a vida, é uma caixinha de surpresas. Nos pegam sempre tão desprevenidos, e se queremos de fato senti-los como eles realmente são, temos que ter a cara e a coragem de continuar sentindo. Seja lá o que for, seja lá o que estiver por vir, não importa o que aconteça. Aceitar o risco de dar tudo certo, ou de dar tudo errado. Sentir tudo isso, muitas vezes é tão arriscado, afinal quem nos dá a garantia de que ainda vamos ter aquilo que estamos vivendo e sentindo amanhã de manhã? Arriscado sim, é verdade, mas necessário. Eu vejo as pessoas com medo de se permitir sentir. Pessoas se escondem ou fogem da realidade que estão vivendo. Procuram distrações, e deixam o “agora” pra depois. O problema é que, quando deixamos pra lá, é mais uma desculpa de não querer enfrentar o que está logo ali, te esperando. Você deixa aquilo pra depois, mas ele não vai á lugar nenhum, continua ali, te esperando. Os sentimentos sempre gritam: “coragem”, mas tantas vezes não conseguimos, ou não temos mais forças pra senti-los. Mas, precisamos! Por mais que nos tragam tristeza e apertos no coração, deixe doer, vai passar. E se trazem consigo, felicidade com direito a arrepios e friozinhos na barriga, lembre e relembre de como foi bom! A vida é feita de todos esses momentos, bons e ruins. Não podemos exigir e nem evitar que sejam de outra maneira. Tudo o que podemos fazer é viver, rir, lembrar, chorar, errar, aprender, reviver, e mais do que tudo: nunca perder a coragem de senti-los. Ignorá-los está completamente fora de cogitação, pra quem quer sentir a graça e a beleza de se viver.